Diversas entidades representativas da magistratura e da comunidade jurídica divulgaram, neste final de semana, notas de apoio ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes. As manifestações foram uma resposta aos ataques e declarações feitos pelo presidente da Argentina, Javier Milei, contra o magistrado e a corte brasileira.
As associações reafirmaram a defesa da independência do Poder Judiciário, da soberania nacional e do Estado Democrático de Direito. Entre as entidades que se manifestaram estão a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), a Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), o Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), a Associação Paulista do Ministério Público (APMP) e a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon).
A AMB classificou as declarações de Milei como injuriosas e ofensivas. A entidade afirmou que divergências políticas não autorizam autoridades estrangeiras a atacar magistrados ou questionar a legitimidade das instituições brasileiras. A associação também manifestou preocupação com tentativas de desqualificar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Justiça Eleitoral.
A Ajufe, representada pela presidente Ana Lya Ferraz da Gama, expressou preocupação com a ofensa a um ministro do STF por uma autoridade estrangeira em solo brasileiro. A nota destaca que o ataque recaiu sobre uma decisão judicial e não sobre um indivíduo, e que a independência de quem julga é a garantia para os cidadãos.
A Anamatra, que representa cerca de 3.500 magistrados do trabalho, manifestou desagravo ao ministro Alexandre de Moraes. A entidade defendeu que divergências políticas devem observar o respeito entre Estados soberanos e que o STF desempenha um papel essencial na preservação da ordem jurídica.
A Apamagis repudiou as declarações de Milei, afirmando que o Poder Judiciário atua com base na Constituição e que a independência judicial é um pilar da democracia. O IASP também manifestou preocupação, defendendo que a crítica a decisões judiciais deve vir acompanhada de respeito institucional, especialmente vinda de um chefe de Estado.
A APMP, por sua vez, manifestou repúdio às declarações contra o ministro Alexandre de Moraes, que é associado da entidade.



